Painéis solares - Elysia energia solar Porto Alegre

Quantos painéis solares precisamos para salvar o clima?

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Cerca de 100 fábricas gigantes de painéis solares devem ser construídas até 2025 para que o mundo zere a emissão de carbono até 2035

“Precisamos chegar à emissão zero de gases de efeito estufa. O mais rápido, seguro e econômico possível. Para fazer isso, precisamos de caminhos de transição com custos otimizados e tecnologicamente viáveis para todas as regiões do mundo. Nossos cálculos mostram como nós podemos fazer isso”, afirma Christian Breyer, professor de economia solar na LUT University em Lappeenranta, na Finlândia, cujo grupo de pesquisa modela caminhos de transição para futuros sistemas de energia com emissão zero.

Como funciona a energia solar? 

No modelo dos pesquisadores, publicado pelo portal alemão DW, a energia solar fotovoltaica forneceria 69% da demanda total de energia primária global para todos os fins. O resto viria da energia eólica, biomassa e resíduos, energia hidrelétrica e energia geotérmica.

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Esse cenário de emissão zero não inclui energia nuclear por ser muito cara, segundo Breyer. “A tecnologia fotovoltaica está se tornando mais barata a cada ano; os custos de construção de usinas nucleares, por outro lado, estão aumentando.” Além disso, é muito mais fácil, rápido e menos arriscado instalar e operar a energia solar do que as usinas nucleares.

Até quando o mundo deve parar de queimar combustíveis fósseis?

O modelo baseado em energia solar dos pesquisadores do LUT levanta duas questões. Em primeiro lugar, até quando o mundo deverá atingir as emissões zero de gases do efeito estufa se quisermos cumprir a meta acordada internacional de manter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC? Em segundo lugar, quantas usinas de energia solar precisariam ser construídas – e até quando – para cumprir a parcela da energia solar nessa meta climática?

De acordo com o cientista Piers Forster, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, até o final do ano passado (2020), para ter uma probabilidade de 75% de ficar abaixo de 1,5º C, podemos liberar – no máximo – 200 bilhões de toneladas adicionais de CO2 (GtCO2) no ar. Portanto, devemos chegar a zero emissões o mais rápido possível após 2025. A meta política atual, de zerar as emissões até 2050, é perigosa.

Só em 2019, as emissões totalizaram cerca de 40 bilhões de CO2. Se as emissões permanecerem praticamente no mesmo nível nos próximos anos – o que é muito provável – o “orçamento” de emissões de CO2 remanescente será usado até o final de 2025. Depois disso, o mundo estará em um “excesso de carbono” – e no caminho para uma situação muito perigosa de mudanças climáticas.

100 fábricas gigantes de painéis solares

A solução: construir 100 fábricas gigantes de painéis solares imediatamente. Vamos imaginar uma transição para um mundo neutro em carbono até 2035. E assumir que as novas fábricas de módulos fotovoltaicos necessárias estarão instaladas em 2025, para que possam concluir o trabalho em 10 anos.

A maior fábrica de módulos fotovoltaicos do mundo – de longe – está atualmente em construção na província chinesa de Anhui. Terá capacidade de produção de 60 GW por ano, segundo GCL System Integration. Para efeito de comparação, a capacidade de produção global de PV em 2020 foi de cerca de 200 GW, 90% dela na China.

O modelo dos pesquisadores prevê um sistema elétrico global movido inteiramente por energias renováveis, com 78.000 GW de capacidade de geração instalada, incluindo 63.400 GW de energia solar fotovoltaica, cerca de 8.800 GW dos quais na Europa.

É possível dar conta, mas é preciso acordar

De acordo com os planos atuais da indústria, até 2024, a quantidade cumulativa de módulos fotovoltaicos instalados em todo o mundo deve chegar a quase 1.500 GW, de acordo com estimativas da associação industrial SolarPower Europe. Para atingir o cenário de emissões zero até 2035, outros 62.000 GW de módulos fotovoltaicos (= 62 terawatts, TW) devem ser produzidos e instalados entre 2025 e 2035.

Os planos existentes prevêem que as fábricas fotovoltaicas, totalizando cerca de 400 GW de capacidade de produção anual, estarão em funcionamento até 2024. Se quisermos instalar 62 TW de módulos solares entre 2025 e 2035, então no final de 2024, precisaremos ter construído mais 100 mega fábricas solares de 60 GW, cada uma tão grande quanto a fábrica de Anhui. Se a Europa deseja produzir seus próprios módulos fotovoltaicos, 15 dessas 100 fábricas gigantescas devem ser construídas na Europa.

O que esses números nos dizem é que uma rápida expansão da energia renovável como o elemento central de uma corrida global para emissões líquidas zero é tecnologicamente viável. Afinal, é possível a humanidade construir e operar 100 fábricas gigantes. A questão crucial que enfrentamos é: será que finalmente levaremos a sério os avisos dos cientistas do clima, pegaremos nossas ferramentas e faremos o trabalho?



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